• Luana Pegorin

Resenha, Quo Vadis? - Henryk Sienkiewicz

Atualizado: Jan 2

Uma obra clássica, alta literatura e romance de época são títulos que fazem jus a este livro de Henry Sienkiewicz, publicado em 1895, e que futuramente, colaborou para que o autor polaco ganhasse o Prêmio Nobel de Literatura, em 1905. Considerado um dos mais brilhantes escritores do século XIX, Henryk também atuou como um dos sócios correspondentes da Academia Brasileira de Letras.



"Para onde quer que o homem contribua com o seu trabalho deixa também algo do seu coração". Henryk Sienkiewicz

O Que significa Quo Vadis?


"Quo vadis, Domine?" (Aonde vais, Senhor?) é uma expressão registrada em livros apócrifos, em que Jesus apareceu a Pedro, quando o apóstolo saía de Roma devido a forte perseguição aos cristãos. Então, Jesus lhe responde: “Já que abandonas o meu povo, vou a Roma para ser crucificado, outra vez".


Na trama, Lígia é uma moça que foi criada em berço católico por seus pais adotivos, e atualmente, era refém do Estado. Marcus Vinícius é um legionário romano, militar e soldado, que acaba de voltar de uma guerra, e frequenta os mesmos ambientes da corte graças a presença do tio, Petrônio, que é um dos conselheiros de Nero. O jovem soldado se encanta por Lígia, e essa paixão que cresce ao decorrer das páginas é o que o leva a sua conversão, entre tantos desafios e preconceitos que os dois deverão enfrentar em meio a realidade em que vivem.


Misturando personagens fictícios, como o romance central entre Lígia e Vinícius, o livro também traz personagens reais que são bastante atuantes e contribuíram efetivamente para a história da humanidade, por isso o livro também é bastante proveitoso para quem deseja entender a realidade nas primeiras décadas depois de Cristo. Deixo aqui uma lista completa desses personagens, de maneira resumida, que compõe esta obra:


Personagens históricos:


Nero: Imperador romano. Além de descrevê-lo como um déspota sanguinário, o romance busca ridicularizar sua pretensão de ser um grande artista (músico e poeta), bajulado por sua corte de áulicos. Teria mandado incendiar Roma apenas para inspirar-se e compor um poema épico.


Petrônio: patrício romano, poeta, epicurista e esteta, membro da corte de Nero, onde era tido como "árbitro da elegância", por seus gostos e conduta refinados. Na obra, ele é tio de Marcus Vinícius.


Tigelino: comandante da Guarda Pretoriana. No romance, é cúmplice das crueldades de Nero.


Aulo Pláucio: comandou as forças romanas na conquista da Britania, à época do imperador Cláudio. No romance, é o pai adotivo de Lígia e, por ser cristão, torna-se uma das vítimas de Nero, após o Grande incêndio de Roma.



Pompônia Grecina: esposa do general Aulo Pláucio. No livro, é a mãe adotiva de Lígia.


Popeia Sabina: tornou-se a segunda esposa de Nero, após se divorciar de Otão (futuro imperador). No romance, é mostrada como uma mulher cruel, que planeja a morte espetacular de Lígia, à vista de Vinícius, e acaba sendo estrangulada pelo marido-imperador.


Acte: antiga amante de Nero, teria sido a grande paixão do imperador, que só não a desposou por veto da mãe, Agripina.


Sêneca: filósofo romano, estoico, foi preceptor de Nero. Acusado de participar da Conspiração de Pisão, suicidou-se.


Lucano: poeta romano, autor de "Farsália".


Pedro: apóstolo cristão. O romance reforça a tradição segundo a qual ele teria sido crucificado, de cabeça para baixo, na colina do Vaticano.


Paulo: o grande edificador do Cristianismo. A tradição sustenta que teria sido executado em Roma, nesse tempo.


Uma das primeiras edições do livro Quo Vadis.

Personagens fictícios


Ligia: Seu nome nativo era Calina. Natural da Lígia, vivia em Roma com refém do Estado, confiada à guarda da família do general Pláucio. Educada pelo pais adotivos dentro do Cristianismo, enamora-se de Vinícius, mas recusa-se a tornar-se sua amante. Sua conduta promove uma grande transformação no jovem patrício, levando-o à conversão.


Marco Vinicius: patrício romano, comandante militar. Apaixona-se por Lígia e, por amor a ela, converte-se ao Cristianismo.


Ursus («Urbano», após ser batizado): fiel servidor da mãe de Ligia, a quem promete, em seu leito de morte, proteger e defender a filha. Possui força física descomunal, porém é uma pessoa simplória e ingênua.


Glaucus: médico cristão de ascendência grega. Sua mulher e filhos são vendidos como escravos por Chilón Chilonides. Por ser cristão, ele perdoa seu algoz.


Eunice: escrava e amante de Petrônio que, por vontade própria, suicida-se junto com ele.


Chilón Chilonides: filósofo grego ambicioso e desprovido de escrúpulos. Entre os cristãos apresenta-se como um deles, mas os delata a Nero, em troca de dinheiro.


Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Quo_Vadis_(livro)



Com esta riqueza de personalidades históricas juntamente aos fictícios para acrescentar uma trama perfeitamente bem arquitetada, temos aqui um livro que te transportara há poucas décadas depois de Cristo, transmitindo como era a vida naquela época sobre o comando de um imperador sanguinário. O tão famoso incêndio de Roma também é uma cena de grande importância para o livro, pois além de apontar Nero como o autor, assim como os fatos históricos também o fazem, o livro mostra o quão grave esse episódio foi para Roma e as tristes consequências do ocorrido. Observamos como era a perseguição aos cristãos e aqueles que negavam a um estado totalitário.


É com humor, romance, críticas sociais e aspectos espirituais que deixo aqui minha recomendação desse livro até mesmo para o estudo e compreensão da história da humanidade.

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