• Luana Pegorin

Resenha - Frankenstein: Ou O Prometeu Moderno, Mary Shelley

É fato que você já ouviu falar dele. O grande e abominável monstro ganhou uma forte atuação nas indústrias cinematográficas, com produção de mais de cinco filmes, inclusive o primeiro deles foi um curta dirigido por Thomas Edison. Frankenstein fez-se presente até mesmo em adaptações infantis, como é o caso da animação “Hotel Transilvânia”, onde o personagem é querido pelas crianças. Antes de ler a obra original, publicada em 1823, eu julgava conhecer o personagem da mesma forma que muitos, até mais do que se imagina, acreditam conhecer: Uma criatura sanguinária e devastadora. Porém, minhas convicções e perspectivas se alteravam a cada página que lia: observei que não se tratava de um livro de terror sobre um ser isoladamente sedento de sangue, mas sim, de um romance que abordava longas reflexões sobre a vida e a morte.


Mary Shelley

A autora, Mary Shelley, escreveu a obra com apenas 18 anos de idade, e a ideia de um cientista dando vida a um ser inanimado lhe ocorreu durante um sonho. Entre uma brincadeira com os familiares e amigos, a garota foi motivada a escrever sua história, que nada mais é do que uma grande analogia ao sentido da vida. Sem saber, Mary, além de introduzir pela primeira vez o conceito de "cientista maluco", escrevia também o primeiro livro de ficção.

Victor Frankenstein é um jovem sonhador de uma família rica com ótima reputação graças à posição do pai. Crescendo com seus irmãos, e sua adorada irmã adotiva, Elizabeth Lavenza, a qual nutria um imenso carinho, Victor sempre foi atraído pelos questionamentos existenciais da natureza, que evoluíram junto a ele. Á medida que apreciava a ciência por trás de cada movimento que seus olhos podiam contemplar, o gosto pelas razões químicas e filosóficas guiava seu coração. Desde cedo, o garoto se dedicava aos estudos, pois aquilo saciava sua ânsia por conhecimento. Logo, esse desejo se intensificou e, após a dolorosa morte de sua mãe em sua juventude, Victor parte para Universidade.


Após pesquisas e estudos, que se estenderam da matemática até a decomposição humana, e com a colaboração de suas melancólicas reflexões sobre a dádiva que é a vida, Victor esta disposto a concluir uma obra que executa em segredo de todos: Dar a vida a algo inanimado. Criar, com suas próprias mãos, um ser que possa também respirar e pensar por si só. Longos anos foram necessários para que seu objetivo se concretizasse, mas ele não poderia desistir, pois o desejo de finalização de sua criação era como um desejo desenfreado que o tornou cego e insensível à realidade a sua volta.

Entre madrugadas exaustivas e dias de trabalho, passam-se anos até a noite em que o cientista atinge seu objetivo: Sua criatura, de estatura gigantesca e sombria acorda para a vida. Diante desse acontecimento, a vontade insistente que seu coração nutria se transformaram em medo e desespero perante aqueles amarelos olhos assustadores que concedera a vida. Ele acaba fugindo de sua criação, e com os horrores daquela noite, adoece por muitos meses. Longe da família, Victor fica aos cuidados do amigo de longa data, Clerval. Quando aquela maldita noite cai em seu esquecimento, uma morte misteriosa obriga Victor reviver todos os seus pesadelos.

Desde o início, partimos em uma jornada com reflexões sobre os mais intensos sentimentos da alma humana: Até aonde o amor e o ódio podem levar um homem? Confesso que gostei demais desse livro, pois além de um suspense arquitetado maravilhosamente bem, o romance sutilmente entra em contraste com as cenas em que a dor e o desamparo são os únicos companheiros de Victor Frankenstein.

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