• Luana Pegorin

Resenha - E Não Sobrou Nenhum, Agatha Christie

Atualizado: Jan 2

E Não Sobrou Nenhum”, com mais de 100 milhões de exemplares, toma o lugar do sexto livro de ficção mais vendido no mundo.



Graças a Agatha Christie que me tornei grande fã de mistérios e suspenses, e não poderia deixar de ler seu livro mais adorado por seus leitores: "E Não Sobrou Nenhum", anteriormente chamado de "O Caso dos Dez Negrinhos".

Tudo começa com uma apresentação de oito personagens singularmente diferentes e desconhecidos entre si, porém todos estão indo para um destino em comum. Recebem cartas que os convidava a passar um tempo na A Ilha do Soldado, próxima a Devon, contornada por um mar de ondas violentas.


A imprensa dizia que a ilha havia sido comprada por alguém muito rico e desconhecido, Mr. Owen, o qual não se sabe ser homem ou mulher. Todos esses fatos estimulavam as especulações de quem poderia ser o tal milionário oculto.


"Perdia-se o contato com o mundo - uma ilha era um mundo próprio, um mundo a parte. Um mundo, talvez, do qual nunca poderemos regressar"

Quando chegam à ilha, afirmando que receberam convites de Mr. Owen, são recebidos pelo mordomo e sua mulher, a governanta, recentemente contratados, completando assim os dez personagens. Entretanto, o anfitrião misterioso não está presente, e não se sabe quando ele retornará. Mas não é só por isso que o clima de tensão se intensifica a cada página.


Nos quartos, eles notam que existe um poema peculiar fazendo parte da decoração. Uma cantiga de criança que será mais importante do que eles imaginam:


"Dez soldadinhos saem para jantar, a fome os move;

Um deles se engasgou, e então sobraram nove.

Nove soldadinhos acordados até tarde, mas nenhum está afoito;

Um deles dormiu demais, e então sobraram oito.

Oito soldadinhos vão a Devon passear e comprar chiclete;

Um não quis mais voltar, e então sobraram sete.

Sete soldadinhos vão rachar lenha, mais eis

Que um deles cortou-se ao meio, e então sobraram seis.

Seis soldadinhos com a colmeia, brincando com afinco;

A abelha pica um, e então sobraram cinco.

Cinco soldadinhos vão ao tribunal, ver julgar o fato;

Um ficou em apuros, e então sobraram quatro.

Quatro soldadinhos vão ao mar; um não teve vez,

Foi engolido pelo arenque defumado, e então sobraram três.

Três soldadinhos passeando pelo Zoo, vendo leões e bois,

O urso abraçou um, e então sobraram dois.

Dois soldadinhos brincando ao sol, sem medo algum;

Um deles se queimou, e então sobrou só um.

Um soldadinho fica sozinho, só resta um;

Ele se enforcou, E não sobrou nenhum.”



Na mesma noite, em que todos estão juntos após o jantar, descobrimos que existe mais uma coisa em comum entre os personagens: uma voz misteriosa, em uma gravação posta num megafone, acusa cada um de crimes cometidos no passado, com um detalhamento que deixa todos sem palavras.


Mas de quem era essa voz no megafone?


Quem reuniu essas pessoas aparentemente tão distintas?


E essas acusações eram verdadeiras?


Tenho certeza que suas perguntas não pararão de crescer após a primeira morte tão rápida e inesperada. E conforme as horas passam presos na ilha pela tempestade, sem nenhum contato externo e com pouca comida, uma sucessão de mortes bizarras e bem orquestradas acontecem.



Esse livro tem um suspense incrivelmente bem arquitetado. Agatha Christie nos faz sentir como um dos personagens, desesperados e receosos, pois o medo da morte tão próxima só cresce a cada membro que vemos perdendo sua vida como num passe de mágica.


É sem dúvida um de seus livros mais envolventes, que nos faz querer chegar logo no final para que as peças desse quebra cabeça bem construído se encaixem.


Para mim, a emoção intensa que cada personagem carrega diante das mortes, e a sensação de talvez ser o próximo a morrer, mostrando o que somos capazes de fazer quando estamos ao extremo do medo e da desconfiança, é o ponto alto desse livro, em que Agatha ainda nos convida a refletir sobre o que podemos considerar justiça nesse mundo.

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